"'Nas circunstâncias certas, todos são capazes de cometer o mal'
A partir desse mote, oito autores narram histórias em que pessoas comuns deixam aflorar a perversidade, latente em toda alma humana.
Cada conta desta antologia tem sua própria atmosfera. Em um momento o leitor está rindo diante de uma trama repleta de humor, em outro prende a respiração com o terror vivido por algum personagem. 'O sopro da besta' mostra que o caminho das trevas pode revelar cenários variados, capazes de proporcionar as mais diversas sensações. Encare essa leitura e surpreenda-se".
Há alguns anos participei de um concurso literário da editora Verlidelas. Era para uma antologia de suspense com o nome "O sopro da besta" e cujo tema era "Nas circunstâncias certas, todos são capazes de cometer o mal". Eu vi um amigo meu dizendo que submeteria um conto a esta editora, li o texto dele e a ideia de enviar um conto com essa temática me atentou a ponto de eu fuçar as redes sociais e achar o link por mim mesma.
Tive uma surpresa quando fui selecionada e entendi que valeu a pena fazer uma imersão para escrever o conto. O livro, publicado em 2019, conta com oito contos de autores diferentes, com narrativas eletrizantes sobre pessoas que por algum motivo cometeram um crime.
Resolvi resenhá-lo após a leitura, tamanha a boa impressão que o livro me causou. Quando o recebi fiquei apaixonada pela capa, pela diagramação, fontes e ilustrações que antecedem cada conto. O livro tem um cuidado com a aparência que faz o leitor não querer largar dele.
O sopro da besta é ao mesmo tempo a realidade da sociedade brasileira, como uma crítica ferrenha a ela. Essa crítica é muito bem apresentada em "O sequestro de Deus", o conto satiriza a corrupção política-religiosa no país com muito bom humor.
"Som alto", "Sem sinal" e "As duas mortes de Amanda" são terrivelmente brasileiros. Demonstram desespero, violência e nossos costumes - muitas vezes corruptos e antiéticos - de forma certeira. Trazendo em alguns momentos o gosto amargo das nossas ações, mas também dando uma alfinetada nas instituições que "mantém" o país em pé - ou deveriam manter.
A antologia consegue ser intensa, irônica e muito bem escrita. É uma leitura rápida, instigante e desperta a curiosidade e - em alguns casos - a empatia (para saber como cada personagem vai terminar). Cada conto tem sua peculiaridade e entre risos e curiosidade, o leitor consegue imergir em cada um deles e sair com uma nova perspectiva: será mesmo que todos são capazes de cometer o mal?
Páginas: 196
Editora: Verlidelas

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